quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Volta para São Paulo


Praça do Pôr do Sol/13 de janeiro de 2016

Depois de quase 15 dias na praia, retorno a São Paulo.
No carro, minha respiração acelera. Meu ar parece querer sair de mim. Desequilibra-se em outros. Vai se do dissociando do que conquistei estando junto a mim.
Como pode o mar da praia unir os meus pedaços e o mar da cidade jogá-los para o ar como se não fossem meus?
São Paulo cria necessidades e carências em mim. "Venha", "faça", "fale", "responda", "exista gritantemente", "não fique parada", "pense, pense, pense", "planeje-se".
Existir em silêncio parece uma impossibilidade paulistana. Uma impossibilidade minha. A ausência de sons e fazeres ameaça o ser na cidade.
Aqui, o silêncio do outro me atormenta. Enxergar o outro e enxergar-me com outros é mais difícil. Surgem, da sombra, fantasias de desafeto, abandono, incompletude, angústia.
Na dor, caminho. Caminho em busca dos poucos verdes que há por aqui. Caminho em busca do mar. Da união. Da unidade que permite a vida.
A criança que vive em mim - e em todos nós - precisa da natureza para brincar livremente e dançar com suas memórias. Só assim é possível ser.

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