Lua cheia. Eu e ela, sozinhas na noite. Forte, brilhante, intensa, ela olha para mim. Queria ter a força silenciosa da lua.
Borboleta no meu quarto. Como ela foi parar lá? Quero libertá-la. Tenho medo de machucá-la, de me machucar ao machucá-la. Ela me encanta e me assusta. Tento pegá-la. Arranco parte de sua asa. "Eu sou um monstro por querer te libertar", penso e tremo. Ela tenta mas não consegue fugir.
Apago a luz. Quem sabe ela não dorme, ou morre ao meu lado. Mas não, ela quer voar. Insiste em se mexer enquanto tento dormir.
Parece que não conheço outra forma de libertar a borboleta a não ser a ferindo.
Vou ao quarto dos meus pais. Meu pai diz que não sabe como ajudar. Está com sono. "Pegue a borboleta com uma toalha, filha", diz minha mãe.
Abracei a borboleta com a toalha e a libertei pela janela. Teria ela morrido depois de ter sido solta? Não olhei para baixo para checar.
Parte da sua asa ainda está no tapete do meu quarto.
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