terça-feira, 20 de março de 2012

O frio e a escola

Hoje eu vou falar sobre P.  e um pouco das lembranças que tomam conta do seu cotidiano muitas vezes. P. acordou em uma segunda-feira de sol, apesar de frio, com um sentimento estranho; uma nostalgia que invadiu os seus pensamentos e permeou as entrelinhas dos seus livros obrigatórios para a faculdade. Ela pensou na sua escola, já há muito tempo concluída, mas que nunca será, de fato, concluída. Aqueles tempos foram alegres. Aqueles tempos foram acolhedores. Aqueles tempos voltam sempre e sempre. Ela não sabe dizer o porquê, mas quando o frio chega, P. se lembra do inverno na sua escola, em que todos se agasalhavam para adentrar os corredores de concreto do enorme prédio que aparece até hoje em seus sonhos. Naqueles dias, era difícil ter aulas de educação física, a não ser que fosse para ensaiar a dança de fim de ano - muito importante para todos os alunos. Aí, iam todas as meninas (exceto algumas vezes em que a prova de física não deixava P. desfrutar da dança) correndo para o curto ensaio de 45 minutos. Em um certo ano, a aula de história era posterior à dança e a professora M., que se fingia de durona, iniciava os conteúdos sobre um mundo fora daquela escola, fora daquele mini-mundo. Mal sabia P. que aquela exterioridade se revelaria para ela de formas tão diferentes nos próximos anos. Mas mesmo após tanto tempo, P. acorda em uma manhã e se sente subindo as escadas, às 06h59, para mais um dia de risadas, para mais um dia de eternas lembranças.

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